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LET'S TALK ABOUT CANCRO

Porque conhecimento é poder

Bem-vindo ao Let's talk about cancro, este é o meu projeto onde quero partilhar com vocês a minha história, o caminho que fiz até chegar aqui e conhecimento que fui recolhendo sobre este meu novo lifestyle que o cancro me trouxe.
Mais do que um blog de saúde e bem estar é um espaço de partilha.

 
 
 
 
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  • andreiasofiacosta

Quando nos dizem que temos cancro



A palavra cancro faz parte da minha vida desde sempre. Em criança já ouvia dizer que a minha avó tinha morrido com cancro, e cedo me apercebi do pânico que a minha mãe tinha dessa palavra. Mas só aos 15 anos me apercebi da verdadeira dimensão dela e do impacto que causa quando nos entra pela porta de casa. Foi nessa altura que a minha mãe foi diagnosticada com cancro do ovário. Sobre o impacto que isto tem nos filhos de uma pessoa a quem é diagnosticado cancro falarei noutro dia.


Hoje vou partilhar a minha experiência, sobre o momento em que me disseram: tens cancro….

O que vou partilhar é apenas isso, a minha experiência. E como todas as experiências é sentida de forma única. Não há uma maneira certa ou errada de sentir. Há a nossa que é sempre condicionada pelas nossas vivências até então e muito também pelo amor que sentimos à nossa volta.

Em 2017 foi-me diagnosticado cancro da mama, um tumor atípico, que não era hormonal, mas tinha um pequeno recetor para o estrogénio, era her2 negativo, mas também não era triplo negativo embora se comportava-se como tal. Ou seja, um ser único como eu.

Nessa altura eu estava a amamentar o meu terceiro filho que tinha no momento em que palpei pela primeira vez aquele caroço, 3 meses de idade. E foi aí que nesse preciso momento que soube o que era. Não me perguntem porquê, mas soube.


Como andava a amamentar, todos, incluindo o meu médico assistente me diziam que era da amamentação, mas eu sou teimosa e durante 2 meses insisti com o médico para fazer exames. Finalmente no mês de Agosto de 2017 lá fui eu fazer a ecografia mamária e mamografia.

Como estava a amamentar levei o meu bebé comigo. Dentro da sala da mamografia vi a expressão facial da técnica que a fez (que por acaso era minha amiga) gelar. Na sala da ecografia vi o médico que a fez tentar manter uma expressão tranquila enquanto me dizia que ainda naquele dia teria que fazer uma biopsia. Durante a biopsia vi um médico a tentar mentalizar-me para o que aí vinha. E eu sabia muito bem o que aí vinha.

Já tinha vivido isso em casa, já tinha durante alguns anos acompanhado doentes oncológicas enquanto enfermeira no IPO de Lisboa. Eu sabia o que aí vinha, não sabia ainda era como isso ia realmente mudar a minha vida.


E assim, passados 7 dias recebi o telefonema de uma das minhas grandes amigas, enfermeira, a dizer que já tinha o resultado e não era bom…. Nesse momento não ouvi mais nada. Passei o telefone ao meu marido.

O ar custava a entrar e a sair do meu peito. E estava eu a espera disto….

Nesse dia chorei muito, por mim e pelo meus. Depois desse dia só chorei mais duas vezes. Uma no dia em que saí da primeira consulta de oncologia onde me foi dado o plano dos tratamentos. Era como se fosse a materialização de alguma coisa abstrata até então. A segunda no dia em que tive de deixar de amamentar e secar o leite. Não por ter deixado de amamentar, eu sou muito pratica, tem que ser assim será, mas as dores físicas foram brutais.

Na primeira semana, que foi o tempo que levou até fazer o primeiro ciclo de quimioterapia, senti pena de mim, vivi na vitimização. Ainda que por um pequeno momento, me questionei porquê eu. Eu que tinha, achava eu, um estilo de vida saudável. Eu, que já tinha passado por isto com a minha mãe, com o meu pai. Mas felizmente estes foram momentos muito escassos e eu estava prestes a mudar a minha forma de viver a doença.


Após o primeiro tratamento decidi mudar o meu mindset. Não foi fácil, não se faz de um dia para o outro. Foram muitas reflexões, muitas horas de eu comigo própria. Não precisei de ajuda profissional nesta altura, mas acho que esta deveria ser sempre oferecida a todos os doentes perante o diagnostico.

O oncologista tem o seu papel, muito importante, define o melhor tratamento para a cada situação à luz da ciência atual. Mas o psicólogo deveria ter também o seu papel, acredito firmemente que nenhum tratamento médico terá sucesso, ou pelo menos a longo prazo, se não estivermos fortes de uma forma mais global. Há estudos que mostram que este tipo de apoio conduzem a um aumento do tempo de sobrevida do doente por estimular um melhor funcionamento do sistema imunitário.

E ninguém deve ter medo, ou vergonha de pedir ajuda nestes momentos, até porque este é só o primeiro passo numa caminhada longa, e um amparo é sempre bem-vindo.

Podemos não estar preparados para procurar ajuda profissional, mas é importante termos alguém com quem partilhar o turbilhão de sentimentos que vão dentro de nós, um amigo, um terapeuta, um guia espiritual. Eu contei sempre com a minha irmã, o meu marido, familia e um grupo de amigos, a sua maioria enfermeiros, que não me largaram e com quem desabafava e partilhava receios. Mas confesso que nesta fase inicial houve momentos em que me era mais confortável ficar no silêncio e nisso eles tiveram o seu mérito. Revessavam-se e nunca me deixaram sozinha.

Cada um de nós tem as suas estratégias, mas o importante é não nos fecharmos numa concha, é deixarmos que os outros nos possam ajudar, o que reconheço não é fácil.

Abram a porta a quem vos quer bem e se isso não chegar procurem ajuda. A liga portuguesa contra o cancro, por exemplo, disponibiliza este serviço a todos, independentemente do local de residência ou hospital onde são tratados, deem uma olhadela no site da liga e lá encontram bem explicado a forma como podem obter esta ajuda.

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