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Não deves comer soja




Quem já não ouviu esta recomendação, principalmente se tens ou tiveste cancro da mama? Muitas vezes esta recomendação vem até de profissionais de saúde, que se prendem ainda aos estudos mais antigos em que este alimento estava numa zona cinzenta.

A soja é um grão, uma leguminosa, que há mais de cinco mil anos faz parte da alimentação dos povos asiáticos. Nos últimos anos foi sendo introduzida na alimentação oriental sobre as mais variadas formas, umas mais processadas que outras.

Mas de facto a principal controvérsia da soja, vem do facto de esta conter isoflavonas e algumas destas atuarem como fitoestrogénio ( como se fosse o estrogénio de origem vegetal).

Como sabemos, muitos dos tumores da mama são hormonodependentes, o que isto quer dizer é que se desenvolvem com a presença de determinadas hormonas, sendo a mais frequente o estrogénio. O nosso corpo produz naturalmente estrogénio e esse pode de facto ser uma fonte de “alimento” para determinados tumores. Daí a grande confusão que reina em torno da soja.

No nosso corpo existem dois tipos de recetores de estrogénio, os alfa e os beta. Quando o estrogénio natural se liga ao recetor alfa, este vai passar a mensagem às células cancerígenas para se desenvolverem. O fotoestrogénio o que faz é escolher preferencialmente os recetores beta, que têm precisamente a função oposta, ou seja uma efeito “antiestrogénico”. Mas há de facto alguns que se ligam ao recetores alfa. Neste caso, eles é como se inibissem a sua função de passar a mensagem às células cancerígenas.

Ou seja, a soja não só não provoca cancro como tem uma função protetora. Muitos estudos foram realizados nos últimos anos nesta área. Começaram por ser essencialmente realizados em países como a China, que é onde a soja faz parte da alimentação diária, mas já há também estudos realizados em países como os Estados Unidos.

Um dos maiores estudos realizados nesta área, em doentes com cancro da mama, ( ZHANG, F. F. et al., “Dietary isoflavone intake and all-cause mortality in breast cancer survivors: the breast cancer family registry”, 2017 https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5444962/), seguiu uma amostra de 6200 mulheres de diferentes etnias residentes na America do Norte. Neste estudo percebeu-se que aquelas que consumiam apenas meia dose ou uma dose de soja por semana tiveram uma diminuição de 21% na mortalidade quando comparadas com as que consumiam ainda menos soja. O número aumentava para 51% no caso de cancros negativos para recetores de estrogénio e 32% nas doentes com cancros positivos para recetores de estrogénio que não faziam terapia antiestrogénio.

Um outro estudo de 2009, (SHU, X. O. et al, “Soy food intake and breast cancer survival”, 2009, https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2874068/), teve como amostra mais de 5000 doentes com cancro da mama em que muitas estavam medicadas com hormonoterapia ( no caso o conhecido tamoxifeno). Neste caso chegaram a conclusão que independentemente do tipo de cancro da mama verificou-se uma redução de 29% da mortalidade e de 32% das recidivas entre as mulheres que consumiam mais soja

Por tudo isto percebemos que de facto a soja não só não provoca cancro, como durante anos foi afirmado por muitos, como tem uma função protetora mesmo nas mulheres com cancro da mama ou que já tiverem cancro da mama ( de qualquer tipo), tanto na mortalidade como prevenção de recidivas.

Agora, levanta-se a questão: que soja devo consumir? A soja é muito completa em termos proteicos, ou seja tem todos os aminoácidos essenciais ao nosso organismo. Para potenciar o seu efeito protetor no que concerne ao cancro deve ser consumida diariamente preferencialmente em fontes o menos processadas possível.

Podemos consumi-la na sua forma de grão (como qualquer outra leguminosa), em rebentos e em alimentos fermentados como o miso ou o tempeh. Claro que podemos consumir tofu, bebidas de soja, iogurtes de soja, estas são sempre alternativas mais rápidas mas também mais processadas daí que devemos avaliar o seu consumo e também a qualidade dos mesmo.

Dar preferência a soja biológica e não geneticamente modificada (ler sempre os rótulos) para obtermos o máximo de benefícios no consumo deste alimento.

Já conhecias estes benefícios da soja?

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